Dia nublado e com muitas nuvens,
Desaire em carne e osso.
A rotina não permitia erros. Vinha ela correndo, a garota de sempre, pela rua imunda que fazia caminho à sua escola, imagino eu. As roupas eram de fato, iguais a da semana anterior e a pressa um pouco menos aflorada. Ela não tremia, deduzi então que a hora não era tão tardia. Seu rosto demonstrava cansaço de uma noite mal-dormida, os cabelos encontravam o vento enquanto dava passos longos em direção ao seu objetivo.Eu podia escutar os resmungões delicados em forma de preces.
Exatamente como pensei que seria, ela controlou todos os seus olhares em busca de reconquistar a boa reputação. Mediu as palavras, concentrou-se em entender tudo que diziam os educadores, mesmo isso tendo lhe custado um terrível sono. Deixou jorrar sua opinião sobre os temas dados, criticou novamente o mundo em que vive e riu o suficiente para não precisar fazê-lo por meses. Caçoou de um amigo e concordou com as juras de amor que mais uma convertida à Edward Cullen fez. Se juntou à um grupo que citava as qualidades das músicas dos Killers, satifeita por saber mais do que a maioria. Por fim fez o caminho vagarosamente para casa, por aquela mesma rua devastada, e eu diria seus pensamentos se pudesse escutá-los.